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Licao
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Improvisação:
Escolhendo as escalas
Conrado Paulino
Conhecer harmonia e o estilo musical em questão é fundamental,
Conrado Paulino é
violonista, compositor e
mas algumas dicas poderão ajudá-lo nessa tarefa arranjador. Acompanhou
artistas como Rosa Passos,
U
m dos grandes desafi os do instrumentista é sa- duzir no mínimo três notas da escala, no caso de tríades,
Alaíde Costa, Paulinho
ber qual escala escolher para improvisar, prin- ou quatro, no caso de tétrades. Se o improvisador dedu-
Nogueira e Johnny Alf.
cipalmente em músicas de harmonias mais zir os graus que faltam, terá a solução para achar a escala
É professor dos cursos
sofi sticadas. Para resolver defi nitivamente essa dúvida, é completa. Mas, para isso, precisamos do próximo item.
de violão, técnicas de
necessário dominar conhecimentos de harmonia funcio- 3) Analise harmônica: Para achar as opções de escalas
acompanhamento
nal moderna. Mas se você ainda não domina o assunto, de um acorde não basta saber apenas seu nome e a tonali- e improvisação na
não desanime. Veja a seguir algumas orientações básicas dade da música (ou do trecho). É preciso saber fazer a sua Universidade Livre de
que podem servir como um bom começo para ajudá-lo a análise harmônica e, conseqüentemente, descobrir a fun-
Música, em São Paulo.
escolher as escalas apropriadas. ção harmônica que ele está desempenhando na estrutura
Foi professor de artistas
Existem quatro fatores para determinar a escala certa: da composição. As funções harmônicas são quatro: tônica,
como Chico César, Nuno
1) A tonalidade: É o mais importante dos quatro. A subdominante maior, subdominante menor e dominante.
Mindelis, Fernando Corrêa,
tonalidade ou centro tonal ‘manda’ sobre os outros acor- Elas formam o pilar da harmonia funcional contemporâ-
Camilo Carrara e Tomati,
des e escalas, fazendo com que as últimas tendam a se nea. Sabendo quais são a classifi cação e a função do acorde
entre outros. É membro
da Iaje (International
aproximar o máximo possível da escala principal. Alguns em relação à tonalidade, obteremos os dados que fornece-
Association for Jazz
chamam esse processo de ‘diatonizar’ as escalas. Por esse rão a escala exata de cada acorde. Portanto, não basta saber
Education). Atua
motivo, no tom de Dó maior, o Bb7M (que harmonica- que o acorde é, por exemplo, A7. É necessário saber di-
como solista e com o
mente é um bVII7M) é lídio (Ex. 1) e o E7 (V7 do VI) ferenciar o A7 que é bVII7 (subdominante menor) de B,
seu quarteto. Site:
corresponde à escala Mixo b9 b13 (Ex. 2). Essas escalas do que é V7 (dominante) de D; V7 do II (dominante) de
www.conradopaulino.com.br.
são as mais próximas (ou seja, as mais diatônicas) em rela- C ou VII7 (subdominante maior) de Bb. Em cada caso,
E-mail: conrado@
ção à tonalidade. Repare que elas perderam notas próprias aplicamos uma escala diferente de Lá (Ex. 6). Esse conhe-
conradopaulino.com.br
de sua armadura de clave (Mi bemol no Bb7M; e Fá sus- cimento é fundamental, tanto para a improvisação como
tenido, Dó sustenido e Ré sustenido no E7), de forma a para arranjo, composição e rearmonização.
fi carem o mais próximo possível da escala de Dó maior. 4) Características de cada estilo: Para chegar à ‘sin-
2) A cifra: Quanto mais completa for a cifra, mais in- tonia fi na’ da escolha de escalas, é necessário também co-
formações ela passará para o improvisador. Em um acorde nhecer os detalhes de cada estilo, ou seja, o seu ‘sotaque
cifrado apenas como C7 é difícil descobrir qual é a escala harmônico’. Isso possibilitará também saber e escolher
dominante mais adequada. Mas, se a cifra for C7(9)(#11) outras escalas, indo da mais inside (mais próxima da to-
(13), ela mesma está indicando os sete graus da escala, nalidade) para a mais outside (mais afastada, ou seja, com
no caso, fundamental, 2ª maior (9ª no acorde), 3ª maior, menos notas em comum).
4ª aumentada (#11 no acorde), 5ª justa , 6ª maior (13ª Veja alguns exemplos:
no acorde) e 7ª menor, formando a escala mixolídia #4, a) na bossa nova, o acorde V7 do IIm7 quase sempre
também chamada de Lídia b7 (Ex. 3). inclui a 9ª menor (b9). Já no samba ou na música pop, o
A cifra também pode indicar uma ou mais notas que, mesmo acorde pode pressupor uma 9ª maior.
devido à melodia ou por opção do compositor, fujam da b) no jazz, mesmo não estando especifi cado na ci-
alternativa mais diatônica de escala. Por exemplo, em um fra, utilizam-se freqüentemente dominantes X7(b9)(13)
C7 do tom de Fá maior utilizaríamos, em princípio, a quando a melodia é a 13ª. maior.
escala mixolídia de Dó, que tem a mesma armadura de c) nos jazz-blues, é comum adicionar a #9 aos domi-
clave do tom de Fá maior (Ex. 4). Mas, se a cifra indicar nantes, inclusive ao V7 do I7.
C7(b9), será necessário respeitar a nona menor de Dó Como resumo, confi ra o Ex. 7 (Tom: Mi maior; Cifra:
(nota Ré bemol), mesmo que essa nota não pertença à D7; análise harmônica: bVII7; estilo: bossa nova). Como
tonalidade (Ex. 5). Note que, graças à cifra, podemos de- afi rmamos, a solução para achar a escala correta é saber de-
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