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Erudito
em Porto Alegre, fui para a França, onde acabei Depende do nível de cada aluno. Gosto de res- de violonistas, como Roberto Aussel, Sérgio
conhecendo a dança barroca e me inscreven- peitar o que cada um gosta e quer fazer, apro- Assad, Delia Estrada. Cada um apresenta o
do na Sorbonne. Valeu muito a pena, aprendi fundando nesse sentido, mas também de abrir que pensa valer a pena em termos de reper-
muito, conheci outras pessoas, outras músicas, os horizontes com relação ao que a pessoa já tório. No meu caso, já editamos, entre os
novos horizontes. conhece. Posso dizer o mesmo quanto à parte compositores brasileiros, Israel Bueno de Al-
técnica. Em geral, gosto de saber até que pon- meida, Wagner Amorosino, Hamilton Costa,
» Como é o seu dia-a-dia de trabalho? Como to cada um é capaz de analisar o que toca, sabe Celso Machado e a última composição de
organiza seu tempo? dos estilos de cada época, conhece harmonia, Paulinho Nogueira.
Tem sido um processo interessante, pois antes escalas, para podermos discutir como evoluir a
de ter fi lhos, eu tinha todo o tempo do mundo partir daí. » O que te faz parar e escutar algum violonis-
e vivia tocando o tempo todo sem me dar conta. ta tocando?
Agora que o tempo é mais curto, me organizo. » Como é a sua relação com o Paulo Bellinati? Adoro o som do violão. Gosto de ver como, por
Começo fazendo técnica, um pouco mista, pois Qual a importância dele para sua carreira? meio de diferentes técnicas, diferentes músicas,
trabalho também escalas de improvisação, e de- No começo da carreira, gravei Jongo e fi zemos diferentes ingredientes as pessoas se exprimem
pois o repertório, normalmente de acordo com o álbum de partituras. Depois do Festival da por meio do violão.
o que tenho em vista. Para mim, o importante, Martinica de 1988, em que defendi sua música
mais que o número de horas, são a regularidade e saímos vencedores, tocamos juntos até eu ir » Qual a principal lição que tirou desses anos
e a concentração. morar no exterior. Participei em vários de seus de estrada?
trabalhos. Ele produziu Contatos, e aprendi Que o importante é se concentrar na música.
» Você dá aulas? muito com sua experiência. E agora, depois de Quando comecei, pensava que o universo dos
Aqui em Roma dou masterclasses, em princí- tanto tempo, voltamos a tocar juntos. músicos era especial, perfeito, pois era feito de
pio, uma vez por mês, na Internatio- Estamos montando um repertório de música, e descobri que nesse meio, como no
nal Arts Academy, uma escola fre- peças dele para dois violões e dois ca- resto, somos humanos, como em todas as
qüentada por pessoas de diversos vaquinhos. É um dos meus grandes profi ssões. No fi m, como no princípio, aliás, o
países. Esse trabalho me permite parceiros musicais. que vale é não perder a chama que nos faz vi-
viajar para concertos e ensaios brar e aproveitar para dividi-la com os outros.
com outros músicos. » Como é o seu trabalho com a editora
Henri Lemoine? » Quais são seus outros trabalhos atuais?
» Como é a Cristina Azuma Eu apresento novas peças para violão. Tenho tocado o repertório de Murcia, terminan-
orientando violonistas? Essa editora tem várias coleções a cargo do em concerto com a viola caipira, para mostrar
a adaptação do instrumento no Brasil. Já gravei
outro CD de violão clássico que deve sair pela
O que Cristina Azuma usa
GSP, com músicas de Carlo Domeniconi, T_h ier-
VIOLÕES:
ry Rougier, Paulo Bellinati, Marco Pereira. O fi o
“Atualmente toco com um violão de Paolino Barnabe de 2007
(foto da direita). É um violão potente e que canta bem as melodias, o que
condutor é que são peças inspiradas em crianças,
me ajuda no repertório que ando tocando. Tenho comigo um mas não são exatamente infantis. Tenho
violão romântico que pertence ao Palácio de la Guitarra,
outro projeto de duo, com o Pablo
no Japão, o primeiro Lacote, de 1819, excepcional.
A guitarra barroca é de Charles Besnainou (foto da
Marquez, violonista argentino.
esquerda), feita em 2005, cópia de Cottin. Atualmente
toco também uma viola caipirambém uma viola caipira Giannini”.
» Você pretende voltar a morar
no Brasil algum dia?
CORDAS: “No atual uso as cordas que o próprio
Barnabe faz”.
Estou pensando seriamente em vol-
tar, pelo menos por algum tempo,
UNHAS: “O mais importante é o formato, de
e tenho algumas pistas de traba-
modo que a unha seja uma extensão da polpa, lho mais fi xo. É também uma
sem nenhum outro ruído no ataque, ajudando
importante decisão.
na projeção do som. As minhas não são
muito longas, também por causa da guitarra
barroca, em que é necessário sentir sob os Site
dedos as cordas duplas antdas duplas antes de tocá-las”.
http://cristina.azuma.free.fr
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