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Erudito
> Seu primeiro CD foi pecialmente de Bach. Embora me
produzido pelo Sérgio esforçasse para tocar Bach no violão
Abreu. Como foi ter de seis cordas, sempre me pareceu
trabalhado com ele? algo sofrido, tanto do ponto de vista
Sérgio Abreu é meu violonista técnico quanto musical. No violão
favorito. Conheci-o nos con- de barroco (violão de onze cordas)
cursos — ele era júri — e aos temos uma espécie de alaúde moder-
poucos fi camos amigos. Ele é no com uma sonoridade irresistível,
meu mentor musical, sempre etérea e doce. A extensão dos graves
que preciso de algum conselho possibilita uma maior expressão nos
recorro a ele. Gravei esse disco agudos, devido aos pedais que os
na sala da casa do Sérgio e usei baixos proporcionam. A linha de
os instrumentos de sua coleção, baixo fi ca mais completa, com novas
o Hauser de 1930, o Santos possibilidades de baixo cifrado nos
Hernandez de 1920 e o Abreu arranjos, o que traz, a meu ver, uma
de 1982. Como locomover es- maior autenticidade na linguagem
ses instrumentos seria perder a de Bach.
qualidade de som, optamos por
gravar no silêncio das madru- > E quais as difi culdades técnicas
gadas no apartamento dele em de tocá-lo?
Copacabana. Esse disco traz os Talvez a maior difi culdade esteja no
violões do Duo Abreu de volta polegar da mão direita, no esforço
às gravações e isso é uma honra para alcançar as cordas mais graves e
sem fi m. Além disso, a edição as aberturas necessárias para isso. O
e todo o trabalho de som fo- polegar também tem um excesso de
ram realizados por ele. Nesse trabalho ao apagar as ressonâncias
contato, aprendi mais do que dos baixos, que soam por um tempo
em todos os anos nas melhores Paulo Martelli e seu violão de onze enorme devido à vibração das outras
escolas americanas.
cordas: “uma espécie de alaúde
cordas. Somados a isso, os saltos de
moderno”, segundo o músico
mão direita são constantes devido
> Você tem trabalhado um ao número de cordas. Outra difi cul-
repertório brasileiro e popular no violão. entre boa e ruim. Além disso, o violão brasileiro dade está no pulsar das cordas — o toque deve
O futuro do violão de concerto é esse, um tem linguagem própria e está entre o que há de ser bem mais leve e controlado, caso contrário
repertório popular, mas com acabamento melhor. Villa-Lobos é o mais original compo- o som quebra com muita facilidade.
erudito? sitor para violão do século XX e usou o choro
Hoje existe uma junção nos estilos, aquilo que e temas populares em sua obra. Não devemos > Você é o idealizador do Movimento
os americanos chamam de crossover. Porém, o apenas reverenciar Segovia e Bream, mas olhar Violão. Como surgiu a idéia desse projeto?
repertório do violão sempre foi assim. Barrios também para brasileiros como os Abreus, Assa- A idéia nasceu como proposta para melho-
tocava Bach e Beethoven, e não era considera- ds, Geraldo Ribeiro, Barbosa Lima, Belinatti, rar o panorama do violão erudito no Brasil.
do clássico. Segovia tocava muitas adaptações Marco Pereira, Geraldo Vespar, Daniel Wolf, Temos como objetivo oferecer espetáculos de
de coisas populares, por exemplo, as Canções Raphael Rabello, Guinga e muitos outros. Te- alto nível gratuitos à população, mas propor-
Populares Mexicanas, de Ponce, ou os arranjos mos muito a ganhar sendo musicalmente mais cionando cachês para os músicos e trabalhan-
de Llobet de temas populares catalães. Isso abertos. Incorporar esse repertório e levá-lo às do junto às secretarias de cultura. O Movi-
tudo são temas populares com acabamento salas de concertos internacionais é inteligente e mento existe há quatro anos em Araraquara.
erudito. Indo além, se voltarmos para Bach, garante originalidade. Os recitais acontecem no Teatro Municipal,
sua obra tem como base os corais luteranos, em uma realização da Secretaria Municipal
que na sua época eram populares. É óbvio que > Desde quando você vem se dedicando ao de Cultura com a Fundart. Neste ano, a sé-
tudo isso leva uma adaptação e transformação violão de onze cordas? O que te atrai nele? rie também vem sendo realizada em Ribeirão
a moldes mais refi nados. Para mim, a música Há mais ou menos dois anos. Sua tessitura é Preto, no Teatro Dom Pedro II, junto à Fun-
não se divide entre popular e erudito, mas sim perfeita para arranjos de músicas barrocas, es- dação Dom Pedro II e à Secretaria de Cultura
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