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N
atural de Araraquara, Paulo Martelli
teve os primeiros contatos com o vio-
O que Martelli usa
lão por infl uência de seu irmão, o também
Violões: “Em concertos, uso regularmente um violão
violonista Pedro Martelli. “Pedro foi para
Sérgio Abreu de 1982 (à esquerda na foto). É um
mim uma inspiração. Ainda criança, eu o ou-
instrumento maduro, de sonoridade transparente e
via estudar todo o repertório tradicional do muita cor. Meu violão de onze cordas é do Samuel
violão e, graças a isso, aprendi muito cedo e
Carvalho, que geralmente uso afi nado uma terça
guardei na memória também”, lembra. Seus
acima, com os baixos em escala diatônica, sendo a
décima primeira corda em Si bemol. Também tenho
outros mestres foram Francisco Brasilino,
um violão de seis cordas do Samuel modelo Hauser”.
Henrique Pinto e Sérgio Abreu, esse último
mentor do violonista até hoje. Após vencer
Cordas: “Nos violões de seis cordas uso as
a Artists International Competition, Paulo Augustine Regal Blue. No de onze cordas, uso as
fez sua estréia no Carnegie Hall, em Nova
Savarez Corum nas primas e as Augustine Regal
York, em 1995. De lá para cá, o músico
Blue nos baixos”.
vem se apresentando constantemente em
Unhas: “Postiças. Uso plástico
terras norte-americanas, onde residiu
maleável colado com Super Bonder.
por quase dez anos, de 1992 a 2002. Sigo a tradição de Carlevaro e
Em 2006, lançou seu mais recente CD,
minhas unhas têm mais ou menos
Miosótis (Produção Independente), com
o formato que ele indica, ou seja,
arredondadas”.
músicas do compositor popular Zé
Henrique Martiniano e a participa-
Amplifi cação: “Uso um par de
ção especial do violonista João Luiz.
microfones Neumann KM184.
Recentemente, teve seu elogiado CD São perfeitos para palco e
Roots, com repertório de violão latino-
gravações profi ssionais”.
americano, relançado nos Estados Uni-
dos pela Chaos T_h eory Music. Além da sua
veia de agitador cultural à frente do Movi-
mento Violão, Paulo Martelli dá aulas para > Você estudou em duas conceituadas > Concursos são um mal necessário para o
alguns promissores alunos e está, inclusive, escolas americanas: a Manhattan School violonista erudito?
montando um estúdio na capital paulista. A of Music e a Juilliard School of Music. Quando jovem, fui premiado em vários con-
Violão PRO conversou com o violonista, que Como foi sua experiência por lá? cursos. Por intermédio do Jovens Concertis-
falou da carreira e das suas diversas ativida- Foi uma excelente oportunidade de conviver tas Brasileiros consegui bolsa para estudar na
des atuais. Confi ra o papo a seguir. com os melhores músicos de uma geração. Juilliard. Ganhei minha estréia no Carnegie
A violonista Sharon Isbin me proporcionou Hall, em 1995, após vencer a Artists Inter-
Violão PRO - Como foram seus estudos com várias bolsas de estudo na Juilliard e sua in- nacional Competition. Não gosto da idéia
Francisco Brasilino e Henrique Pinto? fl uência na minha formação pode ser senti- de competir em música. Há quem goste e se
Paulo Martelli - Iniciei meus estudos de vio- da nas minhas interpretações de Bach. Na dê bem nisso. É um excelente meio de pro-
lão com Francisco Brasilino ainda menino. Na Manhattan, tive contato com David Staro- moção, mas, a meu ver, os concursos em ge-
época, meu irmão Pedro Martelli era aluno bin e Mark Delpriora, que me dedicou a sua ral fi zeram uma geração toda pensar e tocar
dele. Brasilino foi um excelente professor e me Pocket Sonata e com quem estudei os siste- igual. Concursos acontecem todos os anos
ensinou o romantismo do violão brasileiro, mas de tablatura para alaúde. Porém, meu e não fazem a carreira de ninguém, ajudam
os rubatos, o gosto por Villa-Lobos. Com ele ‘violonismo’ eu já levei daqui, sendo minha apenas. O que importa é ter um trabalho sé-
aprendi a apreciar o ‘violonismo’ de Geraldo maior infl uência o Sérgio Abreu, além do rio, constante e sólido na música. Esse é o
Ribeiro, um dos meus grandes ídolos. Henri- Henrique e do Brasilino. único caminho.
que Pinto veio depois, trazendo o refi namento
do som, das idéias e me profi ssionalizando.
”Concursos acontecem todos os anos e não fazem a carreira de ninguém,
Nunca encontrei um professor tão dotado de
inteligência e sensibilidade para transmitir o ajudam apenas. O que importa é ter um trabalho sério, constante e sólido
conhecimento do instrumento como o Hen-
na música. Esse é o único caminho”
rique. É uma bênção tê-lo no Brasil.
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