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Capa
No Bourbon Street: “Em duos
com cantores, cada dia faço
uma harmonia diferente”
o que tem de fazer em termos de harmonia, de duo, uso tudo isso. É difícil, mas dá pra tem o surdo, o ganzá, tudo ali funciona di-
não podemos mudar, fazer uma loucura, por- fazer. Tem de perder horas e dias, sentado reitinho. Então entra o lance da percussão.
que vai chocar um com o outro. Quando es- ali, sozinho. Você precisa pensar em cada Com o César, gosto de tocar samba nos
tou em duo com um cantor, posso fazer isso. pedaço do seu dedo, não só em cada dedo, contratempos. Então coloco a percussão
Cada dia toco uma harmonia diferente. qual o papel desta falange, qual a posição nos tempos fortes, batendo as cordas dos
melhor para fazer isso ou aquilo. É uma bordões contra os trastes. Você pode bater a
> Vocês pensam em lançar um outro coisa meio louca, mas que dá um resulta- percussão nos tempos fortes ou a cada dois
disco juntos? do legal. No trabalho com cantores dá para tempos, no forte e na terceira semicolcheia.
Não sei ainda. Vamos gravar alguma coisa fazer isso aí. No duo com o piano dá para Há uma série de coisas que são percussivas,
agora, ele vai fazer os arranjos. De vez em fazer também, mas você tem de respeitar e você não toca de verdade. Cara, violão é um
quando ele me liga para fazermos alguma acaba usando outros recursos. instrumento difícil de tocar! Você tem de
coisa juntos. usar tudo o que tem para dar certo.
> Você tem um toque de acompanhamento
> Como você pensa seus acompanhamentos? percussivo que é uma de suas marcas > Que lembranças você tem do CD
Por ter estudado muito sozinho em casa, registradas. Você poderia descrevê-lo para nós? Shades of Rio, gravado em duo com o
desenvolvo o violão como um todo, como Cresci no Engenho de Dentro, no Rio de Raphael Rabello?
uma orquestração. Você começa a pensar Janeiro. Antigamente, o carnaval e os blocos Estou falando agora com a Chesky Recor-
no trabalho dos baixos, como vai colocar eram de rua, não eram essa coisa monstruosa ds, que lançou esse CD nos Estados Unidos,
a harmonia, encaixar o ritmo nisso tudo, de hoje em dia. Minha idéia era botar aquela para lançá-lo também no Brasil. Aquele CD
qual será o trabalho das notas agudas. Nas percussão da escola de samba, os tamborins, foi algo totalmente diferente do que já fi z. Eu
notas agudas, por exemplo, penso nos vio- para funcionar no violão. Se você ouve uma conhecia o Raphael desde bem novo e ele sem-
linos em uma orquestração. No trabalho escola de samba, é uma coisa tão completa, pre me falava para arranjar algo para fazermos
juntos nos Estados Unidos. Finalmente apare-
ceu a oportunidade e ele disse: “Claro, bicho.
“Desenvolvo o violão como um todo, como uma
Só tem um negócio. Não quero fi car em ho-
orquestração. Você começa a pensar no trabalho dos
tel em Nova York, quero fi car na tua casa. Eu
baixos, como vai colocar a harmonia, encaixar o ritmo
não falo inglês, sabe como é”. Ele foi com a
mulher dele, a Ana, e fi caram na minha casa.
nisso tudo, qual será o trabalho das notas agudas”
Nessa época minha vida estava uma confusão.
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