V A trajetória do DF: sua expansão*
“A atração que Brasília despertava em todo o país, prin- tantes e a do DF (incluindo Brasília) na marca de 2,05 milhões. O
cipalmente na década de 60, fez migrar, para as terras Perfil das Indústrias da Construção Civil do Distrito Federal menciona:
da nova capital brasileira, levas e mais levas de famílias,
em busca de melhores condições de vida. As cidades-
“O Distrito Federal pode ser caracterizado como o
satélites, formadas em áreas periféricas e equidistantes
centro precursor do desenvolvimento das novas fron-
do Plano Piloto, não foram suficientemente ágeis para
teiras de crescimento econômico e populacional do
atender ao grande surto migratório. Daí a formação de
interior brasileiro, uma vez que, obedecendo aos an-
núcleos de ocupação do solo público nas redondezas
seios de parte das forças econômicas nacionais, a épo-
do Plano Piloto, nas proximidades da Cidade Livre, hoje
ca de sua fundação (uma delas a da Construção Civil),
Núcleo Bandeirante. E entre estes núcleos, destacou-se a
deslocou o eixo de investimentos para a região central
chamada Invasão do IAPI, ao lado do hospital de mesmo
do território nacional. O grande fluxo migratório ex-
nome. Contíguas ou nas proximidades da Invasão IAPI,
perimentado nas décadas de sessenta e setenta serviu
proliferaram as Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão
como alavanca de desenvolvimento para a nascente
e Colombo e os morros do Urubu e do Querosene”.
indústria da Construção Civil candanga, oferecendo-
lhe vasto campo de atuação, uma vez que a demanda
Adirson Vasconcelos por espaços habitacionais e funcionais era, ao mesmo
Escritor (1988) tempo, uma necessidade – por parte da população – e
uma obrigatoriedade – por parte do governo federal
– e tendo em vista a incessante chegada de trabalha-
Nasce a nova e atual Capital do Brasil e traz consigo a esperança de dores e funcionários públicos à nova Capital. Segundo
um país integrado. Lúcio Costa imaginava, quando projetou Brasília dados da Secretaria do Trabalho e Direitos Humanos
que “entre as quadras de diferentes níveis sociais se estabelecerá a do Distrito Federal, a participação do segmento da
divisão verde dos parques, tornando indevassáveis umas e outras. Construção Civil na economia distrital é marcante e
Isso permitirá, por exemplo, que as empregadas domésticas resi- representa 4% do mercado de trabalho local. Esse
dam a 200 metros dos locais de serviço”. Porém, ao redor dela sur- segmento emprega um maior número de profissionais
ge uma complexa periferia, onde estão as cidades-satélites, com- do que os demais setores da indústria da transforma-
pondo atualmente 26 Regiões Administrativas (RAs) criadas por lei ção” (Brasília, 2003, p.9).
no DF, e Brasília é uma dessas regiões. Já a criação dos chamados
assentamentos permitiram a retirada de dezenas de invasões do
As 26 Regiões Administrativas do DF são: Brasília (RA I), Gama (RA
coração de Brasília, assim como impulsionaram o setor da Cons-
II), Taguatinga (RA III), Brazlândia (RA IV), Sobradinho (RA V), Pla-
trução Civil no DF.
naltina (RA VI), Paranoá (RA VII), Núcleo Bandeirante (RA VIII), Cei-
lândia (RA IX), Guará (RA X), Cruzeiro (RA XI), Samambaia (RA
Conforme a Constituição Federal, nenhuma RA pode ser politica- XII), Santa Maria (RA XIII), São Sebastião (RA XIV), Recanto das
mente autônoma do DF, por isso elas não são e não podem ser mu- Emas (RA XV), Lago Sul (RA XVI), Riacho Fundo (RA XVII), Lago
nicípios. Segundo o Censo Demográfico de 2000, feito pelo IBGE, a Norte (RA XVIII), Candangolândia (RA XIX), Águas Claras (RA XX),
população de Brasília (Asa Sul e Asa Norte) totalizava 198,4 mil habi- Riacho Fundo II (RA XXI); Sudoeste/Octogonal (RA XXII), Varjão
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