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IVAos 30 anos: um patrimônio mundial
“... Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir conjunto do Governo do Distrito Federal, da Universidade de Bra-
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir sília e da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
Por me deixar respirar, por me deixar existir que inicia amplo inventário de bens dentro do complexo nacional
Deus lhe pague...” e cultural do DF.
Chico Buarque
Anos depois, em 1987, o Conjunto Urbanístico do Plano Piloto de
(trecho da canção “Deus lhe pague”)
Brasília, com seu traçado singular e modernos edifícios, é tombado
pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, e se torna
o primeiro monumento do século XX a ter o status de Patrimônio
O decreto-lei n° 25, de 30 de novembro de 1937, diz em seu pri-
Mundial.
meiro artigo: “constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o
conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja con- Nas palavras do escritor Josué Montello, embaixador do Brasil junto
servação seja de interesse público, que por sua vinculação a fatos à Unesco na ocasião do tombamento: “Temos preservado, para o
memoráveis da história do Brasil, que por seu excepcional valor ar- presente, monumentos do passado. Agora, ao contrário, pensamos
queológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”. em preservar para o futuro um monumento do presente”.
Disse Lúcio Costa que Brasília foi “concebida não como simples or- Em matéria publicada no Correio Braziliense, no centenário de JK, a
ganismo capaz de preencher satisfatoriamente e sem esforço as fun- jornalista Eneida Maria de Souza fala sobre a emblemática constru-
ções vitais próprias de uma cidade moderna qualquer, não apenas ção de Brasília no cenário artístico e cultural do país:
como urbis, mas como civitas, possuidora dos atributos inerentes a
uma capital. E, para tanto, a condição primeira é achar-se o urbanis-
“O período ‘construtivo’ das artes e da política no Brasil culmi-
ta imbuído de uma certa dignidade e nobreza de intenção, porquan-
na (...) com a construção de Brasília, reunião do ideal utópico
to desta atitude fundamental decorrem a ordenação e o senso de
de progresso com o sentido moderno e racionalista exigido
conveniência e medida capazes de conferir ao conjunto projetado
pelo projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek. A
o desejável caráter monumental. Monumental não no sentido de
internacionalização dos valores nacionais se justificaria, prin-
ostentação, mas no sentido da expressão palpável, por assim dizer,
cipalmente, pela estrutura capitalista em ascensão, respon-
consciente daquilo que vale e significa. Cidade planejada para o tra-
sável pela abertura cultural e pelos empréstimos aos países
balho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo viva e aprazível,
economicamente mais fortes.
própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se,
com o tempo, além de centro de governo e administração, num
A poesia concreta, o abstracionismo geométrico nas artes
foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis”.
plásticas, a prosa intimista, a crônica carioca, a bossa-nova
e o cinema novo representam o estilo minimalista e expe-
Em 1981, Aloísio Magalhães cria o Grupo de Trabalho para a Pre- rimental de se fazer arte, na tentativa de utilização de uma
servação do Patrimônio Histórico e Cultural de Brasília, esforço linguagem que pudesse ser entendida internacionalmente,
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