Contudo, a região não era totalmente desocupada. Além de Pirenó- mentar profissionais de todas as especialidades rumo à concretiza-
polis e Formosa, as cidades mais importantes, e de muitas fazendas, ção da nova Capital.
o principal pólo urbano nas imediações – onde de fato seria Bra-
sília – era Planaltina. Outro núcleo urbano, também preexistente à
No dia 24 de setembro de 1956, extinguia-se a Comissão de Plane-
construção da capital, era Brazlândia, fundada em 1933, que hoje faz
jamento da Construção e da Mudança da Capital e nomeavam-se os
parte do Distrito Federal. Esses locais de alguma forma serviriam de
dirigentes da recém-nascida Companhia Urbanizadora da Nova Ca-
apoio àqueles que iriam erguer e realizar o ideal de transferência da
pital do Brasil (Novacap): Israel Pinheiro, presidente; Ernesto Silva,
Capital.
Bernardo Sayão, Íris Meinberg, diretores. No Conselho de Admi-
nistração, os membros Alexandre Barbosa Lima Sobrinho, Ernesto
Voltando a JK, era 1956, e Goiânia deveria ser o palco de um ato pú- Dorneles, Oscar Foutoura, Bayard Lucas de Lima, Epílogo de Cam-
blico, sucessivamente, por um ou outro motivo, adiado: o presiden- pos e Adroaldo Junqueira Ayres e, para o Conselho Fiscal, Herbert
te da República assinaria uma mensagem – a qual seria encaminhada Moses, Mauro Borges Teixeira, Luiz Mendes Ribeiro Gonçalves.
ao Congresso Nacional acompanhada de projeto de lei – propondo
a mudança da Capital para o Planalto Central do Brasil.
Iniciava-se uma poderosa concentração de esforços no país, pois os
dirigentes da nova companhia tinham aceito o desafio de em três
Embora tudo estivesse organizado e a população nas ruas esperando anos entregar ao Brasil uma cidade moderna “para orgulho dos bra-
o ato público, a aeronave presidencial não conseguia pousar. Após sileiros e admiração de todo o mundo”.
algumas tentativas de aterrissagem na capital goiana, impedida por
uma nuvem densa, a solução foi seguir para Anápolis/GO. Começa-
No mês seguinte, o presidente da República faria sua primeira viagem
va, então, o que se pode chamar uma verdadeira epopéia.
a Brasília, onde deixaria registrado no Livro de Ouro de Brasília:
O dia estava amanhecendo quando, em 18 de abril de 1956, em
“Parecendo um sonho, a construção de Brasília é obra rea-
um pequeno café próximo ao aeroporto de Anápolis, o presidente
lista. Com ela realizamos um programa antigo: o dos consti-
– acompanhado de sua pequena comitiva, do prefeito e do chefe
tuintes de 1891. É um ideal histórico: o dos bandeirantes dos
político do município e de alguns curiosos – formalizou o planejado
séculos XVII e XVIII. Do ponto de vista econômico, Brasília
ato público, assinando o documento em que solicitava, ao Congres-
resolverá situações já esgotadas, para maior equilíbrio, me-
so Nacional a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital
lhor circulação e mais perfeita comunicação entre o litoral e
Federal para a construção de Brasília.
o interior, entre o norte e o sul”.
Era o embrião. Enquanto o projeto de lei tramitava, apesar das sem-
A sorte estava lançada. Começava a batalha que teria sua vitória
pre existentes divergências políticas acerca da transferência, a Co-
marcada para 21 de abril de 1960.
missão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Fe-
deral, presidida inicialmente pelo marechal José Pessoa, em seguida
pelo médico Ernesto Silva, se encarregava de acelerar os trabalhos
e promover o concurso para o Plano Piloto da cidade, que teve seu
edital lançado em setembro daquele mesmo ano.
Desapropriação de terras, demarcação de fronteiras, estudos e
projetos de prolongamentos de ferrovias e estradas, construção de
aeroporto, Plano Rural para o DF, constituição de comissões para
financiamentos, estudo das lagoas, tomada de preços, estudo eco-
nômico, política territorial e outras equipes de trabalho iriam movi-
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